A Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) vem a público manifestar repúdio veemente à violência praticada contra um jovem surdo, cometida por três seguranças privados durante as festividades de Carnaval no município de Apodi, localizado na região Oeste potiguar, a cerca de 340 km de Natal. Imagens amplamente divulgadas nas redes sociais mostram o jovem sendo cercado, empurrado, derrubado e violentamente agredido com cassetetes, sem qualquer possibilidade de defesa justa. De acordo com testemunhas, o jovem tentava utilizar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para explicar que não compreendia as ordens verbais emitidas pelos seguranças. Ainda assim, foi submetido a uma ação cruel, desproporcional e covarde. O episódio evidencia uma grave violência linguística, somada à violência física, praticada por profissionais que tinham o dever de proteger e zelar pelo bem-estar da população durante um evento público. A incapacidade de compreender uma ordem verbal não pode, em hipótese alguma, ser tratada como desobediência ou ameaça, tampouco justificar agressões. A pessoa surda e surdocega tem direito à comunicação acessível, ao respeito à sua língua e à sua condição linguística. A ausência de preparo da equipe de segurança para lidar com a diversidade humana e linguística não pode resultar em espancamento, humilhação ou violação da dignidade humana. A Feneis ressalta que esse caso não é isolado. Pessoas surdas e surdocegas em todo o Brasil vivenciam, cotidianamente, situações de constrangimento, discriminação e violência por não serem compreendidas em contextos públicos, especialmente por agentes e equipes responsáveis pela segurança.
Veja a nota técnica pelo PDF: NOTA TÉCNICA DE REPÚDIO – VIOLÊCIA CARNAVAL