A Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), no cumprimento de sua missão de defender os direitos da comunidade surda, apresenta os esclarecimentos solicitados sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas surdas na leitura e compreensão de editais e provas escritos em português.
É fundamental compreender que a não audição é, primariamente, uma questão linguística e cultural. No Brasil, a maioria das pessoas surdas têm a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como sua primeira língua (L1) e o Português como segunda língua (L2), exclusivamente na modalidade escrita. Essa especificidade linguística gera desafios únicos no processo de leitura e interpretação de textos escritos em português.
Além disso, a maior parte das pessoas surdas no país são oriundas de famílias ouvintes, muitas das quais desconhecem ou resistem à Libras. Isso frequentemente resulta em atrasos no acesso à educação adequada, já que, historicamente, a sociedade priorizou uma visão clínico-reabilitadora da surdez. Por décadas, os surdos foram vistos como indivíduos a serem “normalizados” por meio de intervenções como o uso de implantes cocleares ou próteses auditivas e o treinamento de fala, com o objetivo de alinhar-se ao modelo padrão da sociedade majoritária de ouvintes.
Somado a isso, o Brasil apresenta um histórico de fragilidades na educação de surdos, contribuindo para a perpetuação de barreiras de acesso pleno à informação e ao aprendizado. Diante desse cenário, torna-se essencial promover ações e políticas que respeitem as especificidades linguísticas, identitárias e culturais da comunidade surda, assegurando seu direito à educação bilíngue e inclusão escolar.
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